CNRD reforça transparência e eficácia com novo boletim e mais de R$ 300 milhões em dívidas resolvidas

Documento contextualiza evolução histórica da CNRD e suas estruturas, mostra que órgão encerrou mais de um processo por dia útil nos dois últimos anos e alcançou, apenas em 2024, mais de R$ 160 milhões em dívidas pagas a credores

A Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF divulgou nesta terça-feira (15) um boletim no qual detalha sua evolução histórica, inclusive com os desafios encontrados, e apresenta um denso estudo com números. Entre os mais de vinte gráficos presentes no boletim, estão a evolução do total de processos, o dado de mais de um processo encerrado por dia útil, o estabelecimento das cláusulas compromissórias, o tempo de tramitação e um levantamento sobre as partes em disputa perante a CNRD.

Esse é o segundo boletim geral divulgado pela CNRD, que já havia apresentado trabalho similar em 2020. Sua divulgação ocorre no contexto de aprimoramento das ferramentas da comunicação da CNRD com o mercado e vem após a emissão de um boletim específico sobre os planos coletivos, publicado em setembro de 2024. A ideia da CNRD é que a publicação se torne anual, com possibilidade de atualizações mais sintéticas no meio de cada ano.

O Presidente da CNRD, Celso Portella, entende que existe a necessidade de o mercado entender a dinâmica de trabalho do órgão. “Precisamos que o mercado compreenda o trabalho que temos desenvolvido na CNRD. A divulgação regular de nossos números e resultados é essencial para demonstrar a evolução do órgão e a credibilidade que conquistamos. O boletim cumpre esse papel ao mostrar que conseguimos retomar a celeridade na resolução de processos e gerar resultados concretos, como os mais de R$ 160 milhões em dívidas pagas em 2024. A transparência fortalece a confiança e nos permite compartilhar tanto nossos avanços quanto os desafios que ainda precisamos superar”, disse Portella.

Números

Nesse boletim, a CNRD se debruça nos números e estratégias que o órgão tem desenvolvido para retomar a celeridade na resolução de processos, objetivo central desde 2022. Nos dois últimos anos, a CNRD encerrou cerca de 740 processos e gerou mais de R$ 300 milhões em pagamento de dívidas: foram R$ 155 milhões em 2023 e R$ 162 milhões em 2024. Entre março de 2023 e final de 2024, o órgão teve uma média de 20 sentenças emitidas por mês, praticamente uma a cada dia útil.

Para além dos números gerais, o boletim expõe também questões específicas das quatro divisões temáticas que formam o órgão (Intermediação, Trabalhista, Comercial e Regulação), entre as quais estão a evolução de casos por temas e o tempo de tramitação. Cada divisão tem um ritmo próprio de resolução de processos, não interferindo nas demais. Mesmo com as especificidades de cada pasta, a média da resolução de processos tem ficado abaixo de dois anos para a maioria dos temas.

“O tempo de tramitação até a sentença ainda não é o ideal e temos a consciência de que precisa ser atacado, o que temos feito nesses dois anos. Para isso, implementamos um sistema de gerenciamento de processos para os advogados, simplificamos andamentos, estabelecemos prazos internos. Com o boletim, temos a oportunidade de compartilhar com o mercado a visão macro que temos da CNRD.”, explica Rafael T. Fachada, Coordenador Geral da CNRD.

Rafael T. Fachada, coordenador geral da CNRD, vê na divulgação do boletim uma maneira do mercado entender como o órgão funcionaCréditos: Rafael Ribeiro / CBF

Amanda Guimarães Bastos, Coordenadora da Divisão de Intermediação, celebra o fato de que, mesmo com as etapas intrínsecas aos processos de sua divisão, o número de sentenças emitidas se mantém na média do órgão. “Intermediação responde atualmente por cerca de 50% dos casos que a CNRD recebe e vários desses casos exigem a realização de perícia, audiências e uma instrução mais densa. Mesmo assim, temos conseguido manter um número elevado de sentenças desde 2023”, disse.

“É um paradoxo, mas o número de sentenças ter aumentado acaba impactando negativamente o gráfico de tempo de tramitação. Afinal, a partir de 2023, conseguimos resolver processos mais antigos, o que eleva a média até a sentença”, completa Raquel Santos, Coordenadora da Divisão Comercial.

Volume de processos

Se, de um lado, a CNRD apresenta números fortes na emissão de sentenças e encerramento de processos, de outro, o mercado continua a submeter um alto número de demandas ao órgão. Para se colocar em perspectiva, em 2023, o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, na sigla em inglês), tribunal referência para o esporte mundial, recebeu 213 arbitragens ordinárias, enquanto a CNRD recebeu 251.

O relatório mostra o crescimento de todas as naturezas de disputa em relação ao período pré-pandemia, com destaque para a matéria trabalhista, que cresceu 5,5 vezes. “No início, havia uma desconfiança muito grande com a resolução das questões trabalhistas na CNRD, o que conseguimos vencer ao longo do tempo”, comenta Paula Villaça, Coordenadora da Divisão Trabalhista.

Ampliação da equipe foi fundamental para CNRD retomar celeridade na resolução de processosCréditos: Rafael Ribeiro / CBF

Não só o volume de processos denota a credibilidade conquistada pela CNRD, mas também a confiança das partes de que processos encaminhados ao órgão terão resolução adequada. Isso fica expresso na evolução percentual de contratos com cláusulas promissórias para a CNRD, que teve um salto expressivo a partir de 2018. Atualmente, 75% dos contratos submetidos à CNRD têm cláusulas compromissórias.

O boletim divulgado traz uma seção específica sobre as sanções aplicadas pela CNRD ao longo dos anos. Nele, pode-se ver que 69% das sanções aplicadas pela CNRD foram advertências. “Na grande maioria dos casos, a sanção mais branda é o suficiente para que o devedor busque pagar a dívida. Quando não, a CNRD pode aplicar o bloqueio de registro de novos atletas a clubes, por exemplo, que representam 21% das sanções já aplicadas”, detalhou a Coordenadora da Divisão de Regulação, Ingrid Grandini.